Memórias literárias

Se bem me lembro...

Memórias literárias produzidas pelos professores no segundo encontro da formação continuada

Na chama do lampião as faíscas da memória

        Entre 5 e 6 anos, todas as noites o lampião era aceso e em casa o ar ficava impregnado de querosene. Meu pai me colocava sentado de cavalinho e contava histórias. Minha imaginação galopava nas periécias do compadre mico e do compadre tigre. Meu pai fazia questão de enaltecer valores éticos, morais e acima de tudo amizade verdadeira. Lá pelas tantas eu observava a reunião de nossa família, minha irmã mais velha ajudava a mamãe com a louça. Sinto o cheiro do café feito no fogão a lenha, o toque do meu pai, afagando meus cabelos, ensinando-me valores que levarei para a vida toda.
        E, hoje, o que restou foram apenas lembranças, pois o lampião se apagou e o que restou foram memórias de um tempo que reluta em existir em meio ao mundo globalizado.

Professoras Ellen, Cleudenei, Simone e Jaqueline

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  A vida nos trilhos

        Lembro-me que sempre fui um moleque atrevido e matreiro. O som da voz da minha mãe, outrora tão ríspido, hoje cantiga nostálgica a sussurrar no meu ouvido "menino, se você sair da linha será castigado". Foi a primeira vez que ouvi falar em linha e naquele tempo ainda não sabia que meu destino estava traçado sobre a linha. Que linha? A linha do trem.
       Dispensado do serviço militar devido a um acidente, vim trabalhar como telegrafista na estação Rio Caçador. Trabalho importante. A comunicação não poderia falhar senão acidente, prejuízo e morte. à tarde eu olhava os trilhos faíscando ao sol quente do verão. Ouvidos atentos! Um barulho distante, quase um sussurro que aos poucos ia aumentando de intensidade até se transformar num trovão. E o gigante de ferro surgia no horizonte, resmungando sobre os trilhos e lançando fumaça no ar como um fumante inveterado. Mal estacionava e eu corria para o terceiro vagão ansioso verificar se o barril de cachaça havia chegado! Só em pensar a garganta ardia desejando sorver o tão precioso líquido.

Baseado nas memórias de José Barrida

Professoras Clarice e Karin 
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Recordações
Naquele tempo, a Escola Nossa Senhora das Graças era o ponto de encontro das poucas crianças da localidade de Rio Bonito no município de santa Cecília.
Com seis anos de idade tive meu primeiro contato com a escola, mas ainda não matriculada, ia poucas vezes na semana para participar de algumas aulas e levar uma tarefa para casa. O fato de ir para a escola era tão bom que ficava contando os dias para ir novamente.
Aos sete anos fui matriculada na escolinha de uma sala só, de quatro fileiras e carteiras duplas. Agora podia ir todos os dias para a escola. Lá fazíamos muitas brincadeiras, líamos muitas histórias e eu sonhava estar na última fileira da 4ª série.
A professsora Edinei Granemann, uma professora bastante tranquila e eficiente dava conta das quatro séries sem se exaltar e jamais deixar de lado o seu sorriso contagiante. Tinha o respeito e admiração de todos os alunos.
A escola era longe, mas minha mãe me levava todos os dias para a escola e no término da aula, lá estava minha mãe me esperando, tinha sempre a preocupação de saber como foi minha manhã.


Professoras Keller, Alessandra e Rosiléia



Uniforme
Recordo-me, sem saudade alguma, que mesmo estando frio deveríamos ir de saia com pregas, com as meias três quartos, a conga e a camiseta de algodão bem passada e com a gola engomada.
O uniforme me irritava, pois além de ser magra e deixar a mostra minhas pernas que eram muito finas, os meninos me chateavam e isso me deixava aborrecida.
O modelo da saia de pregas me deixava como uma aparência de guarda-chuva armado.
Cada qual deve usar a roupa que quiser, se sentir melhor e melhor lhe convir.


Professores Márcio Rocha e Roseli
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Bule de café e coador de pano

O cheiro do café me lembra a casa de meus pais em uma infância não muito distante.
Meu pai levantava cedo, colocava a água esquentar na velha leiteira, mergulhava o coador de pano e o deixava ferver.
Em seguida iniciava o ritual de preparo do café. No bule a água fervendo, depois o pó, uma mexidinha e o caldo escuro era passado no coador de pano.
O aroma invadia toda a casa e como uma magia nos fazia acordar.
Depois do café pronto, lavava todos os utensílios cuidadosamente e os guardava sempre no mesmo lugar.

Professoras Marilena, Marilda e Samaira
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Balanços da infância

Lembrando de minha infância vivendo em uma pequena cidade do interior, mais precisamente na Linha Liberato, município de Ponte Serrada, percebi o quanto era agradável aqueles momentos de diversão, onde não havia tecnologia, tínhamos que criar meios para que eu e meus primos, que morávamos na mesma localidade, nos entreter.
Um dos fatos que mais marcou foi um cipó que encontramos no meio da mata e que acabou servindo de balanço. Passávamos as tardes embalando uns aos outros, dando muitas risadas, fazendo com que se tornasse o melhor brinquedo que existia no mundo, não percebíamos as horas passarem e um dia ao entardecer minha tia preocupada saiu a nossa procura e levou um susto, pois percebeu que nos embalávamos a beira de uma grande pedreira.
Muita assustadora correu até minha casa onde relatou tudo ao meu pai, que logo acabou com nossa brincadeira cortando o cipó. Na nossa inocência não percebemos o perigo que estávamos correndo.
Como são doces as lembranças, hoje quando retorno neste local não existe mais cipó, não existe mais balanço, apenas uma grande floresta de pinus fria e escura.

Professoras Mônica, Sandra e Lessandra


O calor da minha infância

O fogão à lenha da minha casa é um bom fogão, já aqueceu minha família em muitos dias de frio e, recentemente, em dias de neve. No entanto, em mim o fogão aquece bem mais que o corpo, ele mantém acesas as minhas memórias de criança.
Lembro-me como se fosse hoje da casa humilde em que cresci em um lugar chamado “Fazenda Sepultura”, parece um nome estranho, não é? Mas é esse mesmo o nome desse lugar que servia tanto de passagem, como sepultura de tropeiros há muito tempo.
Na minha humilde casa o fogão à lenha permanecia sempre aceso e quando eu e meus irmãos chegávamos da escola e lá da porta sentíamos aquele calorzinho gostoso e sempre havia um bule de café quentinho a nossa espera. No forte do inverno meu pai enchia de pinhão sobre a chapa do fogão e eu e meus irmãos nos reuníamos ali, bem pertinho para nos aquecere ouvir meu pai contar as histórias do “Pedro Malasarte”.
Hoje o fogão continua lá, mas não aquece como antes, falta a presença do meu pai e suas histórias que encantavam a minha infância.

Professores Ana Paula, Suely, Márcio Goes e Rosilene



Lembranças de viagem

Lembro com saudades das pequenas viagens com destino rotineiro de Videira a Caçador.
Além da viagem contemplando pela janela aberta, a brisa algumas vezes feroz por causa da velocidade fazia com que a ansiedade despertasse um coração de menino, cheio de saudades para encontrar a avó materna, tão querida.
A chegada era sempre emocionante, pois a semanada adiante prometia, rever primos, brincadeiras, passeios e saborear os mais deliciosos pratos daquela que cozinhava com amor absoluto.

Professoras Cristiane e Kelly
  

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